ADORO

Outubro 26, 2007 at 3:19 pm | In Sem-categoria | Leave a Comment

Não, acho que estás só fazendo de conta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

(Eu te amo – Chico Buarque e Tom Jobim)

NA ESTRADA DE TIJOLOS AMARELOS

Outubro 23, 2007 at 3:56 am | In Sem-categoria | Leave a Comment

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Alice e o Gato:

- Para onde vai essa estrada?

- Pra onde você quer ir?

- Não sei, estou perdida…

- Ora… pra quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve…

Grande Lewis Carol!

SOL E SAL

Outubro 17, 2007 at 5:01 am | In Sem-categoria | Leave a Comment

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Com a alma cansada e a vista turva
Caminho eu por onde sei andar
O astro-rei a zombar da minha desesperança
Nessa andança sem fim e sem começo
Inferno de céu e de asfalto.

Olho atravessado para a janela que era tua
E o balançar do cabelo negro parece ainda real
Arrastei tua cruz, chorei tuas lágrimas
Hoje arrasto correntes e pedaços mal amalgamados de mim.

Segurei tua mão e te dei os segredos menos viris
De vergonha me encurvei, e tu aceitaste
Me tomaste mais que a mão, a alma
A consciência, a força e a hombridade.

Ruas bêbadas cruzaram meu caminho torto
Eu, morto, nem homem me acreditava mais.
Eu que sempre valorizei a guerra
“Pus da humanidade”, infecção sem fim
“Parte do processo de cura”, convencido estava
E teu olhar me apaziguou, rasgou meus escrúpulos.

E eu, seguro do que eu era, abandonei-me a mim
Tornei-me tua quimera, tua pureza, alma nua
Escultura dos teus sonhos, muralha dos tijolos teus
Fiz-me. Desfiz-me. Desfizeste-me.

Os vícios das profundezas voltavam, porém, sempre à tona
Bailavam na superfície da novidade
Buscando ares de esperança, vinham
A clamar pelas tradições nefastas.

E eu hoje, não sei quem sou
E eu hoje, não sei onde estás
Quiçá olhas o mesmo sol.
O único que sei é que a ferro em brasa
Marcou-se em mim o último momento
Quando te deste conta de quem sou
- tu sim, agora sabes -
Me lembro como se olhasse agora por essa janela
Nos teus olhos, sal.

NA FILA

Outubro 5, 2007 at 4:12 pm | In Sem-categoria | Leave a Comment

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Tenho um motivo
E meu motivo se faz irmão, chão, vida
Se faz pão.

Dar alegria ao meu motivo é o motivo mais real
Mais mobilizante, mais carnal
Porque meu motivo é carne, é sangue

É síntese de humanidade.

Tantas vezes dor que ultrapassa o lenho
Assim como transpõe a chaga
Revive o que morto estava
Sara o que dói.

É o motivo mais justo e exato
Chega quando tem que chegar
Demole e reconstrói
Não só inspira ou norteia: transforma.

É meu sol, meu norte
Forte e proa meus
Meu respiro, meu motivo:
Um homem que era Deus.

DEVANEIOS

Setembro 30, 2007 at 6:16 pm | In Sem-categoria | Leave a Comment

Caminhou até a porta. O sol de 38 graus fazia o corpo pedir descanso e um copo d’água.

Nos últimos 20 passos tentou treinar um sorriso que não queria sair. Balbuciava palavras tentando exercitar um princípio de diálogo para suavizar a tensão.

Girou a maçaneta. As dobradiças da porta gemeram, o tempo havia enferrujado o caminho.

Estômago  em reviravoltas, suor nas mãos, coração que, de tanto pular, doía.

Barreira lentamente transposta, a luz entrou. Colocou a cabeça para dentro, fazendo da madeira um escudo para o resto do corpo.

Enquanto entrava, esboçou o sorriso treinado. Abriu aos poucos os olhos buscando a figura por tempos oculta, mas sempre clara nas fugas mentais.

E ela não estava lá.

Piscou várias vezes, girando o corpo para todos os cantos da sala sem janelas. Nenhum sinal.

Respirou fundo, mas o ar faltava. Fez o caminho de volta praticamente tateando a cada passo, os olhos não queriam crer na realidade como se mostrava.

No carro, a 30 por hora, as buzinas alheias nem incomodavam. Odiava mesmo sextas-feiras.

E o gato atropelado na rua a caminho de casa dizia mais do que queria dizer.

SABEDORIA

Setembro 16, 2007 at 5:02 am | In Sem-categoria | Leave a Comment

Por William Faulkner:

“A suprema sabedoria é ter sonhos suficientemente grandes para não perdê-los de vista enquanto os perseguir”.

MINHA GENTE

Setembro 8, 2007 at 5:17 am | In Sem-categoria | Leave a Comment

(do dia 7)

O Brasil é a sua gente

Já podeis, da Pátria filhos, ver contente a mãe gentil:
já raiou a liberdade no horizonte do Brasil.
Já raiou a liberdade, já raiou a liberdade no horizonte do Brasil!
Brava gente brasileira! Longe vá, temor servil!
Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil…

(Hino da Independência – Evaristo da Veiga e Dom Pedro I /1822)

 

 

Independente ou não, hoje minha pátria agarra o pandeiro e o tambor. Samba e marcha sob o sol do país tropical.

E eu penso nessa gente, minha gente, com quem cruzo todo dia. Tantas vezes eu cansada da minha vida mansa, vejo os operários voltando da labuta no fim de tarde. Sempre me emociona a dignidade dessas pessoas.

Lembro de um dia especificamente em que entrei em um desses condomínios de luxo, cujos habitantes andam sempre com os vidros dos carros levantados, ensimesmados e seguros de que aquilo é suficiente para criar dentro um mundo artifical que proteja da miséria que vem em cada carro lembrar que existe. Às vezes os de dentro sou eu.

Entrei, e na minha direção vinha um grupo de uma dúzia de operários, e atrás algumas empregadas domésticas. Rumo ao ponto de ônibus, cada um carregando sua sacola, cabelo penteado, blusa abotoada, passos firmes, rostos tristes e queimados de sol.

Dignos.

Lembro de ter pensado que aquela era a minha gente, e por mais que eu sempre queira fugir do patriotismo exacerbado, que exulta e se irrita, que cala e que grita, sem analisar nada – capacidade essa dada por essa terra rica de recursos naturais e que deveria esbanjar saúdes – eu tenho muito orgulho da minha gente, da gente brasileira.

Hoje é dia do Brasil independente. Independência gritada pelos portugueses e pseudo-aclamada pelo povo do Brasil.

E hoje, pensando “na minha pátria sem sapatos”, como diria o Poetinha, me vem ao coração essa pérola da música auriverde:

(…) São casas simples, com cadeiras na calçada

E na fachada escrito em cima que é um lar

Pela varanda flores tristes e baldias

Como a alegria que não tem onde encostar

E aí me dá uma tristeza no meu peito

Feito um despeito de eu não ter como lutar

E eu que não creio, peço a Deus por minha gente

É gente humilde

Que vontade de chorar

(Gente Humilde – Vinícius, Chico e Garoto/69)

 

E eu que creio, hoje, no dia da independência do Brasil da minha gente, peço de ser digna desta terra, desse povo, digna de dar minha contribuição para que brilhe sempre “estrelado o seu lábaro” e pra que o “brado retumbante do povo heróico” não tenha sido em vão.

Porque independente ou dependente

A maior riqueza do meu Brasil

É sua gente.

NUMERO-LÓGICA

Setembro 4, 2007 at 3:07 am | In Sem-categoria | 1 Comment

dia de...

Assim naturalmente
Sempre me vem de dizer
Que dois é meu favorito
Dois é par, é de pares
É companhia, aconchego
Vontade de abraçar o outro
Porque existe o outro, são dois.

Hoje, porém, penso no quatro
Porque é dia de um querido amigo
Que é o dobro em ternura e serenidade
Digno de dois mais dois
De dois vezes dois
De dois elevado a dois
Ele é mesmo nascido em quatro.

Por isso no quatro me recordo dele
Nascido como eu no mês da primavera
Naquele que inaugura o “b.r.o.-bro”,
como dizem no nordeste,
Naquele que vem depois do “mês do desgosto”,
Como dizem os que não sabem o que dizer.

Setembro, portanto, deveria ser o mês do gosto
Da bonança, do afago,
Por isso, Thiago, é celebração
Da sua vida que é duplamente par
Duplamente doce, duplamente dar.

As honras de hoje a quem as merece
A quem manda postais aos amigos distantes
A quem dá a opinião, e a quem lembra
A quem é companheiro de troca de filosofias
Ainda que nesses dias o desencontro prevalece

Meu amigo desse quatro
Que já vai ser advogado
Que já vai ser o que ele quiser ser
Atravessa ponte todo dia
Atravessa país, visita
E veio ver a dona do dezesseis que mora cá no norte

No Natal passado, sem os fantasmas de Dickens
Veio me visitar, no susto,
Na alegria da surpresa
Trouxe augúrios e um abraço
Um perfume que adoro e adoram
Notícias e passado

E ficamos ali, conversando
Papeando juventude e lembranças
Frivolidades e doçuras
Planos e presente

E ficamos ali, conversando
Ele, eu, o perfume e a amizade
Os quatro

E porque hoje é o dia dele – hoje é quatro! -
Quatro extrazilhões de alegrias e realizações
Pro meu querido Thiago Ferreira
Porque ele é seis
Mais quatro.

SOL DE PRIMAVERA

Setembro 3, 2007 at 2:38 am | In Sem-categoria | Leave a Comment

Chato ficar colando poesia da vida dos outros, mas copiar também é uma arte!

E a minha cabeça tava dando voltas ontem com a música do Beto Guedes:

 Quando entrar setembro e a boa-nova andar nos campos

Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou

Juntos outra vez

Já sonhamos juntos, semeando as canções no vento

Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar

Já choramos muito, muitos se perderam no caminho

Mesmo assim não custa inventar uma nova canção

Que venha nos trazer

Sol de primavera, abre a janela do meu peito

A lição sabemos de cor, só nos resta aprender.

 

E não interessa que por mais que eu feche a janela sou invadida por leilões de corações e outras versões forrozeiras dos românticos…eu só quero o sol de primavera.

Bem-vindo setembro!

MUNDO PEQUENINinho

Agosto 31, 2007 at 7:53 pm | In Sem-categoria | 4 Comments

meias!

Missão pra depois do trabalho:

- encontrar uma loja de artigos para bebê e comprar meias pra sobrinha-postiça vindoura.

Nota mental:

- lembrar de ir ao baby chá amanhã à tarde.

(é, eu faço listas!)

Pedi tanto que não precisasse ir ao shopping nessa sexta-feira, que me cruzou pelo meio do caminho uma loja como eu queria! Estacionei de qualquer jeito, tamanho foi o susto e o atropelo, e entrei saltitante no Éden dos pequenos (ou seria das mamães?). Oásis no meio do calor do concreto. Cheirinho de lavanda, cores de paraíso, tapetes divertidos pelo chão.

Tudo miúdo. Pedacinhos de tecido decorados com borboletinhas, flores, barquinhos…uma graça! Concluí que deve ser mais caro ser mãe de menina, porque a tentação é maior.Depois, concluí de novo que é caro de qualquer modo, não tem outra. É…conclusões são mutáveis, e aparentemente a moda superinfanto-infanto-juvenil também.

Tudo cheirando a infância e doçura. Tudo brilhando encantamento e surpresas. Tudo colorido de sustos e incertezas.

A um certo ponto deixei a quase-adulta que sou falar mais alto e me perguntei quase em voz alta por que um pedacinho de pano tão ínfimo custa mais caro que roupas “de marca” pra gente adulta. Depois me perguntei por que tantas crianças por aí não tem sequer o que vestir, quando há tanta riqueza. Talvez se fosse criança teria me perguntado em bom som mesmo! E quem se importa se a dona da loja ia escutar? Bom, a adulta aqui se importa.

Porém, antes de me perder no meio das perguntas e das dívidas do mundo adulto, a vendedora me trouxe as meias…

Ela vai caber naquelas coisinhas. Aquelas coisinhas vão aquecer os pés dela. O colorido vai alegrar os primeiros pontapés dela no mundo cá de fora.

(Suspiro)

Voltei pra lá, pra onde eu tava, sem me importar com o que eu era, com quem tinha sido ou com quem ia ser.

Tá, eu fiquei brincando com os sapatinhos como sempre. Um dedo em cada lado e bota pra andar e dançar, querida!

Tá, eu me senti muito bobona ali no meio de tantas coisas lindinhas.

É…o mundo dos pequeninos é pequeno em tamanho, mas infinito em infinito.

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